OS TRÊS NOMES DO GATO
(Paráfrase de um poema de T. S. Eliot)
Dar nome aos gatos não é tarefa fácil nem fútil.
Muitas vezes quando digo que o gato deve ter
TRÊS NOMES DIFERENTES,
olham-me de novo, julgam-me biruta.
Mas assim é, por mais que estranhem e gozem.
Primeiro o nome corrente, de uso da família,
que pode ser Poetinha, Alípio ou Conceição.
Depois o escolhido de pessoas refinadas
(extravagantes ou mesmo sóbrias),
como Menelau, Polonaise ou Pixinguinha.
Por último o mais íntimo e solitário,
que ele mais necessita para manter o orgulho,
esticar os bigodes, enrodilhar-se na cadeira
ou pular o muro como num vôo retilíneo,
que pode ser Diadorim, Caracóia ou Ana Lívia Plurabelle,
nome
que nenhum outro gato ostenta.
Mas além desses e acima de tudo e de todos
Há um nome especial a preferir
- e esse ninguém nunca saberá.
É o nome que nenhuma pesquisa pode descobrir,
e que só o próprio gato sabe,
e que nunca dirá a ninguém.
Assim
Se você ver um gato em profunda meditação,
Os olhos abertos mas cegos, as unhas em inocente repouso,
a razão é sempre a mesma:
sua mente está ocupada na contemplação de seu profundo
e inescrutável e singular NOME.
Lázaro Barreto
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
O gato!
O gato
O Gato, em si, o gato é
no espaço em que se vê
o gato que habita o gato
emoldurado pelos olhos
que decifram a forma gato
no gato objeto do poema;
o gato humano no beiral
da cama onde o gato é.
Ser gato é forma definida
ao gato, então perplexo, que, reflexos
de outros gatos, demonstra gatos
ao entendimento curioso
do gato ser.
Somos gatos ao gato é
assim como o gato não sabe
que é gato e por não ser gato
ao espaço dos meus olhos
que os vê no gato do poema
é concepção de forma
sem estrutura humana
ao beiral da cama
onde o gato é.
Flávio Rubens
O Gato, em si, o gato é
no espaço em que se vê
o gato que habita o gato
emoldurado pelos olhos
que decifram a forma gato
no gato objeto do poema;
o gato humano no beiral
da cama onde o gato é.
Ser gato é forma definida
ao gato, então perplexo, que, reflexos
de outros gatos, demonstra gatos
ao entendimento curioso
do gato ser.
Somos gatos ao gato é
assim como o gato não sabe
que é gato e por não ser gato
ao espaço dos meus olhos
que os vê no gato do poema
é concepção de forma
sem estrutura humana
ao beiral da cama
onde o gato é.
Flávio Rubens
A gata!
A GATA
O gato é todo magnético.
A própria estrutura do gato é magnética.
A maciez de seus músculos, o distender de seu corpo,
Alongando-se dentro do próprio magnetismo,
O seu repousar sem tocar o lugar onde se distende
Com o peso sem volume material, todo ele sustentado
Num suspiro de sonho;
No entanto,
Esse volume de suavidade
Aterrorisa o misterio da suposta escuridão,
Que a ausencia de olhos
Confunde a Terra
Por não poder enxergar na sua dimensão .
E no passado que é eternamente futuro,
Os sacerdotes do Antigo Egito,
Traziam num andor de prata,
A imagem bela-terrífica
De Bastet
A deusa Gata
Felinidade, é uma palavra dos mistérios
Da criação
É a agressão-doce das garras que se distendem
E seguram
Deixando à imaginação mais um dos mistérios
De Deus
Que também distendendo seu corpo para onde
Não existe,
O retém em lugar nenhum;
Essa imagem incorporea com
Cheiro de gato
E o calor doce de sua pequena boca...
Deus, o Desconhecido
não se revelou de todo...
Sua Verdade
está nos Felinos
cujo olhar
Mistério Precioso
te aguarda
no Recinto Sagrado
da Noite
Clarisse de Oliveira
O gato é todo magnético.
A própria estrutura do gato é magnética.
A maciez de seus músculos, o distender de seu corpo,
Alongando-se dentro do próprio magnetismo,
O seu repousar sem tocar o lugar onde se distende
Com o peso sem volume material, todo ele sustentado
Num suspiro de sonho;
No entanto,
Esse volume de suavidade
Aterrorisa o misterio da suposta escuridão,
Que a ausencia de olhos
Confunde a Terra
Por não poder enxergar na sua dimensão .
E no passado que é eternamente futuro,
Os sacerdotes do Antigo Egito,
Traziam num andor de prata,
A imagem bela-terrífica
De Bastet
A deusa Gata
Felinidade, é uma palavra dos mistérios
Da criação
É a agressão-doce das garras que se distendem
E seguram
Deixando à imaginação mais um dos mistérios
De Deus
Que também distendendo seu corpo para onde
Não existe,
O retém em lugar nenhum;
Essa imagem incorporea com
Cheiro de gato
E o calor doce de sua pequena boca...
Deus, o Desconhecido
não se revelou de todo...
Sua Verdade
está nos Felinos
cujo olhar
Mistério Precioso
te aguarda
no Recinto Sagrado
da Noite
Clarisse de Oliveira
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